Resenha do Projeto

Projeto realizado sob tutoria do Master Europeu de Urbanismo, através da Universitat Politècnica de Catalunya – Fundació UPC, no EMUProgram, decorrido do Master Thesis Semester, junto às universidades TUDelft, KULeuvenIuAV Venezia.

RESUMO

Cidades são derivadas da relação do tecido urbano com seus habitantes – e esta é permitida e apoiada pela estrutura de acessos. – Esse é o entendimento para mobilidade urbana. Dentro deste contexto, fica clara a importância da distribuição lógica, dado condicionantes locais específicas. No Brasil, como em qualquer outro lugar, a mobilidade eficiente é aquela que permite ir do ‘Ponto A’ ao ‘Ponto B’ de forma rápida. Por outro lado, mobilidade eficiente pode – e deveria – levar em consideração outras propriedades, tais como as econômicas, as sustentáveis e as sociais. Tendo por base as referidas propriedades, este trabalho tem como objetivo investigar soluções de mobilidade, com foco no encorajamento de interações humanas a partir de “âncoras” detectadas na malha urbana. Por fim,  será utilizada a cidade de São Luis do Maranhão como lócus  de estudo.

1. INTRODUÇÃO

A lógica de mobilidade, assim como a sua definição, não possui uma gama variada de sentidos pelo mundo a fora, bem como as opções de mobilidade. Através de diversas cidades pelo mundo, podemos observar diferentes aspectos locais que trazem e realçam uma opção de mobilidade,  o que  é crucial no planejamento urbano, uma vez que os principais projetos de infraestrutura são dedicados a este tema.

2. PROJETO DE PESQUISA

Numa primeira abordagem em planejamento urbano, estudos confirmam meios distintos, realçando dois pólos: o método do norte europeu e o americano, identificado por D. de Oliveira em sua publicação sobre Curitiba e, assim, abrangendo informações nacionais e internacionais em referências bibliográficas e experiências vividas pelo autor em diferentes cidades.

Aproximação territorial

Faz-se necessária uma aproximação direta no território nacional brasileiro, onde  foi investigado como  se perdeu o foco em transportes de massa, com a passagem do Presidentes  Washington Luiz e Getúlio Vargas, até a concretização no período industrial com Juscelino Kubistcheck, foi abolido o uso dos trens de passageiros. Assim, identificamos  e entendemos quando e como foi feita a trajetória do perfil brasileiro de mobilidade, levando em consideração grandes feitos como o do Governador Jaime Lerner, em Curitiba. Uma vez concretizada esta etapa, salta-se à realidade de São Luís. Nela conduzimos o tema focando na forma engessada do tratamento do Plano Diretor, não somente nos desenvolvimentos urbanos e nas novas obras em profusão, mas na cidade como um todo.

Caminhos e opções

A congestão do tráfego é uma terrível ameaça à nossa economia e ao nosso bem estar físico e emocional. A analogia é ao sistema cardiovascular: se as artérias entopem,  temos duas opções: morremos ou, através de uma cirurgia, podemos construir um novo caminho. Contudo, não é coerente  esperar pelo momento de uma cirurgia. Como causa disto, o veículo privado é cada vez mais utilizado, apoiado pela falsa interpretação de que a cidade moderna é aquela com grandes viadutos e vias expressas.

A investigação torna claro o quão grave é  o problema e expõe  algumas  soluções utilizadas mundo à fora, abordando temas como: o uso da bicicleta, baseado em experiências de Byrne; São Paulo, que, hoje,  disponibiliza faixas exclusivas para motocicletas; Singapura, que iniciou um sistema inovador de rodízio, mesclado à taxas de impostos; e também a Cidade do México, que solucionou seus problemas investindo em transporte de massa (ali chegou-se a enfrentar 24h de engarrafamentos nos anos 80, gerando mais CO2 do que Pequim hoje).

Cidades da Cidade

A questão de usos de solo é crucial na aproximação urbana.  A tese, baseia-se na concepção de Harvey, citando também Krier e Jane Jacobs, que descobriu que a grande solução para vida nas cidades estava na relação de uso misto. Jacobs também dizia que novas idéias usam prédios antigos e velhas idéias geralmente demandam um edifício novo. Tudo isto, beira à reação do comportamento humano nas cidades, possibilitando sair de casa, ir ao trabalho sem ao menos ter que por os pés na rua. Pouco a pouco, fragmentamos o território e matamos a cidade.

3. A PROPOSTA

Após a análise de mapas gerados pelo autor e com método de sintaxe espacial, foram identificadas “âncoras” na cidade de São Luís, reestruturando as linhas de transporte coletivo, como uma espinha dorsal, podendo ser operadas por BRT’s, trens, bondes ou até mesmo ônibus comuns e outras, de menor porte, que apóiam tal estrutura. É dado ênfase à importância de priorizar o transporte de massa, criando faixas exclusivas e principalmente facilitando o embarque, evitando grandes pausas a cada parada, tal como feito em Curitiba.

A reestruturação do sistema, é feita a partir de uma análise do quadro existente,  levantado pelo autor, linha por linha, a partir de dados em folhas avulsas, que detalhavam a rota de cada linha. Por exemplo: Rua Um para a Rua Dois; da Rua Dois para a Rua Três. A partir daí uma interpretação do quadro existente, mesclando informações de outros mapas gerados pelo autor, criando uma proposta que consegue    atender a cidade inteira, partindo de um raio de 5 (cinco) minutos à pé das estações propostas, criando assim mais áreas de oportunidade econômica, uma vez que o sistema é integrado ônibus-a-ônibus.

Finalmente, para facilitar o entendimento e até mesmo a fiscalização pelos usuários que utilizam o serviço, a nova proposta leva em consideração a facilidade de leitura, criando, assim, um mapa de bolso, que além de servir de utilidade pública, poderá ser utilizado para arrecadar fundos através de publicidade,  divulgando também eventos culturais e até informações sobre  os horários e a frequência de cada linha. O mesmo mapa, que possui informações do sistema legíveis e detalhadas, poderia ser divulgado através das próprias paradas, tanto em grandes painéis quanto em pequenos postes, também em aplicativos de celular, que por sua vez, poderiam ser dinâmicos para calcular a rota mais curta, ou menores números de troca de linhas e, até mesmo, identificar a parada mais próxima.