Sistema integrado de Mobilidade para São Luís

 

Este projeto é oriundo da defesa da tese “O resgate de velhos conceitos para o futuro da cidade”, realizada sob tutoria do Mestrado Europeu de Urbanismo, através da Universitat Politècnica de Catalunya, pelo EMU Program, junto às universidades TUDelft, KULeuven e IUAV Venezia. A tese analisa os assentamentos da cidade de São Luís, e diagnostica como a raiz dos principais problemas e desafios da cidade a dispersão da área urbana. O trabalho propõe uma proposta de releitura do sistema de transporte público como uma forma de resgatar a essência insubstituível da cidade.

Um breve histórico sobre este projeto:

Ainda antes de defender o trabalho de mestrado, o projeto repercutiu através de vários meios. Por exemplo, a matéria publicada no jornal O Imparcial, com tema ‘Cidade Dispersa’. O trabalho foi também resumido em vídeo, que está anexado mais abaixo nesta página, e que também pode ser encontrado em português: https://youtu.be/Gdigt-sIDZQ em inglês: https://www.youtube.com/watch?v=oYtOowa_vFs ou ainda em Espanhol: https://www.youtube.com/watch?v=Tf1UNpZbvNw.

Em Julho de 2011 esta tese, realizada sobre a tutoria de Francesc Magrinyà (UPC Barcelona) e Akkelies van Nes (TUDelft) para o programa Master Europeu de Urbanismo na Universidade Técnica de Delft na Holanda, foi aprovada por uma banca avaliadora de renome internacional, na qual era composta pela Laura Vescina (KU Leuven), Han Meyer (TU Delft), Joaquim Sabaté (UPC Barcelona), Claudio Ugalde (UFRGS) e Bernardo Secchi (IUAV di Venezia).

Entre os anos de 2011 e 2012 foi especulado entre políticos e candidatos à prefeitura de São Luís a implementação deste projeto. Já em 2013 o projeto voltou a entrar em evidência, junto aos protestos que ocorreram em todo Brasil, originalmente eram contra aumento das tarifas em confronto com má qualidade do sistema de transporte coletivo. Na ocasião, ainda que o autor deste projeto trabalhava em outro projeto similar, a Rede Integrada para a Região Metropolitana de Porto Alegre, vários e-mails foram recebidos com questões sobre a viabilidade deste projeto. A maior parte destes e-mails eram escritos a partir dos lideres destes protestos, uma vez que eles teriam uma reunião na prefeitura para discutir as possibilidades de melhoria do sistema. A fim de esclarecer e comunicar a respeito da viabilidade e necessidade de implementação deste projeto, um outro vídeo foi publicado: https://youtu.be/AAqyPn-vSmI

 

Este projeto é, atualmente, ponto de partida de diversas pesquisas relacionadas aos temas de planejamento e mobilidade urbana. Mais abaixo nesta página, está disponível a brochura do trabalho em PDF, em inglês, bem como a resenha do projeto em português. Caso queira mais informações, entre na nossa página de contato, ou nos escreva através do cidadeideia@gmail.com

Faça download do PDF neste link: goo.gl/z9a8db

Resenha do projeto:

[toggle title=”RESUMO” state=”closed”]Cidades são derivadas da relação do tecido urbano com seus habitantes – e esta é permitida e apoiada pela estrutura de acessos. – Esse é o entendimento para mobilidade urbana. Dentro deste contexto, fica clara a importância da distribuição lógica, dado condicionantes locais específicas. No Brasil, como em qualquer outro lugar, a mobilidade eficiente é aquela que permite ir do ‘Ponto A’ ao ‘Ponto B’ de forma rápida. Por outro lado, mobilidade eficiente pode – e deveria – levar em consideração outras propriedades, tais como as econômicas, as sustentáveis e as sociais. Tendo por base as referidas propriedades, este trabalho tem como objetivo investigar soluções de mobilidade, com foco no encorajamento de interações humanas a partir de “âncoras” detectadas na malha urbana. Por fim,  será utilizada a cidade de São Luis do Maranhão como lócus  de estudo.[/toggle]

[toggle title=”1. INTRODUÇÃO” state=”closed”]A lógica de mobilidade, assim como a sua definição, não possui uma gama variada de sentidos pelo mundo a fora, bem como as opções de mobilidade. Através de diversas cidades pelo mundo, podemos observar diferentes aspectos locais que trazem e realçam uma opção de mobilidade,  o que  é crucial no planejamento urbano, uma vez que os principais projetos de infraestrutura são dedicados a este tema.[/toggle]

[toggle title=”2. PROJETO DE PESQUISA” state=”closed”]Numa primeira abordagem em planejamento urbano, estudos confirmam meios distintos, realçando dois pólos: o método do norte europeu e o americano, identificado por D. de Oliveira em sua publicação sobre Curitiba e, assim, abrangendo informações nacionais e internacionais em referências bibliográficas e experiências vividas pelo autor em diferentes cidades.[/toggle]

[toggle title=”APROXIMAÇÃO TERRITORIAL” state=”closed”]Faz-se necessária uma aproximação direta no território nacional brasileiro, onde  foi investigado como  se perdeu o foco em transportes de massa, com a passagem do Presidentes  Washington Luiz e Getúlio Vargas, até a concretização no período industrial com Juscelino Kubistcheck, foi abolido o uso dos trens de passageiros. Assim, identificamos  e entendemos quando e como foi feita a trajetória do perfil brasileiro de mobilidade, levando em consideração grandes feitos como o do Governador Jaime Lerner, em Curitiba. Uma vez concretizada esta etapa, salta-se à realidade de São Luís. Nela conduzimos o tema focando na forma engessada do tratamento do Plano Diretor, não somente nos desenvolvimentos urbanos e nas novas obras em profusão, mas na cidade como um todo.[/toggle]

[toggle title=”CAMINHOS E OPÇÕES” state=”closed”]A congestão do tráfego é uma terrível ameaça à nossa economia e ao nosso bem estar físico e emocional. A analogia é ao sistema cardiovascular: se as artérias entopem,  temos duas opções: morremos ou, através de uma cirurgia, podemos construir um novo caminho. Contudo, não é coerente  esperar pelo momento de uma cirurgia. Como causa disto, o veículo privado é cada vez mais utilizado, apoiado pela falsa interpretação de que a cidade moderna é aquela com grandes viadutos e vias expressas.
A investigação torna claro o quão grave é  o problema e expõe  algumas  soluções utilizadas mundo à fora, abordando temas como: o uso da bicicleta, baseado em experiências de Byrne; São Paulo, que, hoje,  disponibiliza faixas exclusivas para motocicletas; Singapura, que iniciou um sistema inovador de rodízio, mesclado à taxas de impostos; e também a Cidade do México, que solucionou seus problemas investindo em transporte de massa (ali chegou-se a enfrentar 24h de engarrafamentos nos anos 80, gerando mais CO2 do que Pequim hoje).[/toggle]

[toggle title=”CIDADES DA CIDADE” state=”closed”]A questão de usos de solo é crucial na aproximação urbana.  A tese, baseia-se na concepção de Harvey, citando também Krier e Jane Jacobs, que descobriu que a grande solução para vida nas cidades estava na relação de uso misto. Jacobs também dizia que novas idéias usam prédios antigos e velhas idéias geralmente demandam um edifício novo. Tudo isto, beira à reação do comportamento humano nas cidades, possibilitando sair de casa, ir ao trabalho sem ao menos ter que por os pés na rua. Pouco a pouco, fragmentamos o território e matamos a cidade.[/toggle]

[toggle title=”3. A PROPOSTA” state=”closed”]Após a análise de mapas gerados pelo autor e com método de sintaxe espacial, foram identificadas “âncoras” na cidade de São Luís, reestruturando as linhas de transporte coletivo, como uma espinha dorsal, podendo ser operadas por BRT’s, trens, bondes ou até mesmo ônibus comuns e outras, de menor porte, que apóiam tal estrutura. É dado ênfase à importância de priorizar o transporte de massa, criando faixas exclusivas e principalmente facilitando o embarque, evitando grandes pausas a cada parada, tal como feito em Curitiba.

A reestruturação do sistema, é feita a partir de uma análise do quadro existente,  levantado pelo autor, linha por linha, a partir de dados em folhas avulsas, que detalhavam a rota de cada linha. Por exemplo: Rua Um para a Rua Dois; da Rua Dois para a Rua Três. A partir daí uma interpretação do quadro existente, mesclando informações de outros mapas gerados pelo autor, criando uma proposta que consegue atender a cidade inteira, partindo de um raio de 5 (cinco) minutos à pé das estações propostas, criando assim mais áreas de oportunidade econômica, uma vez que o sistema é integrado ônibus-a-ônibus.

Finalmente, para facilitar o entendimento e até mesmo a fiscalização pelos usuários que utilizam o serviço, a nova proposta leva em consideração a facilidade de leitura, criando, assim, um mapa de bolso, que além de servir de utilidade pública, poderá ser utilizado para arrecadar fundos através de publicidade,  divulgando também eventos culturais e até informações sobre  os horários e a frequência de cada linha. O mesmo mapa, que possui informações do sistema legíveis e detalhadas, poderia ser divulgado através das próprias paradas, tanto em grandes painéis quanto em pequenos postes, também em aplicativos de celular, que por sua vez, poderiam ser dinâmicos para calcular a rota mais curta, ou menores números de troca de linhas e, até mesmo, identificar a parada mais próxima.[/toggle]